Segunda, 20.10.25, de manhã umas 08h (?)
Essa geração é foda. Ultimamente você tem que tomar cuidado para não sair com alguém romântico demais. Você pode estar com alguém love-bombing você. Tem que ter cuidado também pra não sair com alguém muito frio... essa pode ser uma pessoa evitativa. Aliás, cuidado com aquela pessoa que é honesta demais logo no primeiro encontro: ela pode ter dificuldade para reconhecer limites. E aquela que é exageradamente agradável logo de cara. Pode ser uma pessoa performática. Não me leve a mal, mas simplesmente tenha cuidado. O mundo real anda tão perigoso.
É melhor salvar logo sua consciência no Neuralink do Elon Musk, para ter conversas intermináveis com o Chat sobre como você é legal, afável, inteligente e gostoso(a). Trancando-se num casulo de segurança de ponta-a-ponta enquanto esse seu corpo mortal definha dia-após-dia na certeza de que não há ser humano bom o suficiente pra você mesmo, e que você tem tudo tudo bem resolvido e nunca foi uma pessoa abusiva, escrota, mentirosa, manipuladora, atrabiliária, tóxica, evitativa, duas-caras ou dúbia com absolutamente ninguém porque obviamente não faz parte da sua natureza (humana) ser assim!
28.10.25, segunda, 00:53-01:08
As pessoas carecem de fantasias. Entrevista-se pretendentes como entrevistariam candidatos a uma vaga de emprego. O emprego? "Postar fotos comigo, me levar para passear e fazer-me carinho na frente de sua família e amigos". Basicamente, as pessoas querem ser um pet. E eu lhes adianto: tudo bem! Mas qual pet vai fazer você financiar um apartamento em 30 anos, pondo como linha de crédito seu único emprego e um suado Fiat Palio Fire, cor de esmalte, ano 2004?
Para os obliterados pela linguagem técnica hiper-produtiva dos nossos tempos, eu quis dizer que: o amor não é um fundo de investimentos em renda fixa, mas uma ação duvidosa na bolsa de valores. Os riscos são altos, mas o que você tem a perder com uma simples alavancagem? Sua vida? Ah, ela é patética se você não amar.
Não há no mundo coisa mais idiota e vazia do que adotar alguém como amor esperando flores. O amor dói, machuca e muitas vezes está longe de ser algo "fofo". É cruel, em aspectos consideráveis. Mas é feliz também. É grosseiro como um tio pós-datado em festas de fim de ano. É gentil como uma tia-avó nas mesmas festas de fim de ano. O amor é uma mistura do bem com o mal e pitadas de psicopatia. É o que nós temos de melhor em nós, e o de pior também. O amor põe tudo a mostra e não tem nada a perder. A única coisa que se perde com o amor é nós, quando resolvemos deixamos de amar.
A geração terapeutizada não entende isso. Confundem o thelos com o método. Questione meus métodos, mas não os meus resultados - é o que o amor diria. Essa parte de viver poucos analistas entendem. Até mesmo os técnico-analistas não entendem o amor: dele não se recolhem tributos. O amor é o tributo. A vida está cheia de analistas ultimamente. Precisamos de mais pessoas com sede de serem amadoristas (as que fazem as coisas por amor às coisas, e não por amor ao dinheiro).
Sei que não estamos sozinhos nessa, eu e os demais amadores. Sei também que essa é uma batalha perdida. Pois somos os loucos, e eles os insanos. Somos quem nós temos que ser, para que o mundo ame e não desande. Para que além de nós, venha outros, que saibam amar tanto quanto sangram. Que saibam dizer o que pensam, mesmo que isso custe o ódio e o rechaço de quem mais amam.
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